É possível viver normalmente com apenas um rim após cirurgia para câncer renal?

escrito por
Dr.Pedro Henrique O. Cabral Urologista / RQE 3000
4/3/2026 5:21 PM
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A cirurgia para câncer renal com remoção completa do rim (nefrectomia radical) deixa o paciente com apenas um rim. Embora atualmente a maioria dos pacientes seja tratada com preservação renal, em alguns casos a cirurgia radical ainda é necessária.

Retirar um rim não significa perda de qualidade de vida. Depois da nefrectomia radical, surgem dúvidas e inseguranças — mas a adaptação costuma ser tranquila. Entenda como o organismo se ajusta e quais medidas ajudam a proteger o rim remanescente.

Como deve ser realizada a avaliação periódica?

O acompanhamento regular com urologista especializado é fundamental após nefrectomia, tanto para seguimento oncológico (para detecção precoce de recidivas), como para avaliar a função do rim único remanescente.

A avaliação periódica inclui:

  • Dosagem da creatinina sérica no sangue;
  • Detecção de proteína na urina;
  • Cálculo da filtração glomerular.

O objetivo é detectar precocemente alterações na função do único rim remanescente, impedindo que o quadro de insuficiência renal se agrave.

Tenho rim único. O que devo fazer para evitar insuficiência renal?

Existem pessoas nascem com apenas um rim. Outras doam um rim para um familiar ou retiram o rim devido a um câncer renal. O ser humano pode viver normalmente com apenas um rim quando ele é saudável e funcionante.

No entanto, é óbvio que estes indivíduos possuem uma menor reserva e devem tomar alguns cuidados para preservar o seu único rim. São eles:

  • Controle da pressão arterial, pois a hipertensão não controlada danifica o rim.
  • Controle do diabetes mellitus.
  • Manter o peso corporal: manter índice de massa corporal saudável reduz a sobrecarga metabólica no rim funcional.
  • Evitar remédios nefrotóxicos, como anti-inflamatórios não esteroides. Esta classe inclui remédios como ibuprofeno, cetoprofeno, tilatil, diclofenaco, aceclofenaco (Proflam), nimesulida, Toragesic e outros.
  • Evitar sobrecarga de proteínas na alimentação.
  • Redução de sódio: limitar sal na dieta auxilia no controle pressórico e diminui retenção hídrica.

Se houver necessidade de um analgésico, o que tomar?

Os analgésicos mais comumente utilizados para dor de modo geral são anti-inflamatórios e, portanto, nefrotóxicos emmaior ou menor grau. Caso você seja portador de rim único e necessite tomar um remédio (para dor de cabeça ou nas costas, por exemplo), recomendamos dipirona ou paracetamol (Tylenol), pois eles são pouco nefrotóxicos.

Como deve ser a hidratação?

É recomendável o consumo mínimo de 35 mL de água por quilo de peso corporal diariamente. Um paciente de 70 kg, por exemplo, deve ingerir pelo menos 2,4 litros de água ao longo do dia. Esta recomendação varia conforme função renal residual, presença de sintomas e resultados de exames laboratoriais.

Como fica a função renal após a cirurgia?

Segundo a literatura médica, ocorre redução inicial da taxa de filtração glomerular após nefrectomia, com recuperação parcial em aproximadamente 50% dos casos dentro de dois anos.

A grande maioria dos pacientes não apresenta insuficiência renal sintomática e é rara a progressão da doença para necessidade de diálise. Fatores que aumentam o risco de declínio acelerado incluem:

  • Idade avançada: idosos têm menor reserva funcional renal.
  • Diabetes preexistente: acelera lesões nos glomérulos (micro-filtros renais). É a principal causa de diálise no Brasil.
  • Função renal previamente comprometida.

A nefrectomia parcial, quando tecnicamente viável, preserva mais tecido renal funcional comparada à remoção completa do rim. A avaliação individual determina a melhor técnica cirúrgica conforme características do tumor. A maioria dos nossos pacientes com câncer renal atualmente são tratados com nefrectomia parcial, tendo seu rim preservado.

Trifecta no tratamento do câncer renal

Trifecta é o termo utilizado para definir os objetivos principais de uma cirurgia para câncer de rim. Representa a conquista simultânea de três objetivos fundamentais:

  • Margem cirúrgica negativa: remove todo o tumor sem deixar células cancerígenas, reduzindo risco de recorrência local.
  • Preservação máxima da função renal: mantém tecido saudável funcionando, prevenindo insuficiência renal futura.
  • Ausência de complicações significativas: evita sangramentos, infecções ou lesões que prolonguem internação.

A cirurgia robótica facilita a obtenção da trifecta por permitir movimentos mais precisos, melhor visualização tridimensional e controle refinado durante remoção do tumor.

Cirurgia robótica para câncer de rim em Manaus

Recentemente, Manaus deu um passo histórico com a aquisição de um robô cirúrgico pelo Hospital Santa Júlia. A partir desse período, a cirurgia robótica estará disponível na cidade, beneficiando pacientes que antes precisavam se deslocar para outros centros do país.

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