Fui diagnosticado com câncer de próstata Gleason 8: o que fazer?

O câncer de próstata Gleason 8 tem um comportamento mais agressivo, mas atualmente a doença pode ser curada ou controlada na maioria dos casos.
O escore de Gleason 8 classifica o câncer de próstata como de alto risco, o que significa que o tumor tem comportamento mais agressivo e maior probabilidade de espalhar-se (produzir metástases). Para quem recebe esse diagnóstico, a primeira reação costuma ser de choque e medo. Mas precisamos deixar claro que a doença pode ser curada e, quando isso não é possível, controlada por muitos anos.
O que significa Gleason 8 e por que ele é classificado como alto risco?
O escore de Gleason mede o grau de agressividade do câncer encontrado na biópsia de próstata. Quanto mais alto o escore, mais diferentes as células cancerígenas são das células normais e maior a tendência de crescimento rápido.
Por ser um câncer de alto risco, o Gleason possui as seguintes características:
- Maior probabilidade de extensão local: o tumor pode ter ultrapassado a cápsula da próstata ao diagnóstico.
- Risco maior de comprometimento de linfonodos: as células cancerígenas podem ter atingido gânglios linfáticos da pelve.
- Chance maior de metástases a distância: nos ossos, especialmente nos casos de risco muito elevado.
- Recorrência mais frequente após tratamento: comparado a tumores de baixo e médio risco.
Essas características justificam uma abordagem diferente, com estadiamento adequado completo antes de definir o tratamento.
Que exames são necessários antes de decidir o tratamento?
Para um Gleason 8, a avaliação vai além do PSA e da biópsia. O exame mais preciso para estadiar um Gleason 8 atualmente é o PET-PSMA, pois informa ao Uro-oncologista se existem metástases em linfonodos na pelve ou nos ossos. Não é isento de falhas, mas a capacidade de detecção é muito superior à da tomografia convencional.
Portanto, em pacientes com câncer de próstata de alto risco, o PET-PSMA é indicado antes do tratamento para revelar se a doença ainda está confinada à próstata ou já se disseminou para gânglios ou osso.
A ressonância magnética multiparamétrica da pelve complementa essa avaliação, fornecendo detalhes sobre a extensão local do tumor dentro e ao redor da glândula.
Saber se há doença exclusivamente local, comprometimento linfonodal limitado ou metástases a distância muda completamente o planejamento. O tratamento de um tumor localizado (limitado à próstata) difere do tratamento de uma doença com envolvimento linfonodal.
As duas opções de tratamento
Conforme as diretrizes da American Urological Association (AUA), pacientes com câncer de próstata de alto risco não metastático e expectativa de vida superior a 10 anos devem receber tratamento local definitivo. As duas opções principais são:
Prostatectomia radical robótica
A cirurgia para remover a próstata, chamada prostatectomia radical, é a principal opção para o tratamento curativo. Na abordagem robótica (atualmente considerada a melhor técnica), o cirurgião opera com instrumentos articulados e visão tridimensional ampliada, o que permite maior precisão na remoção da glândula preservando os tecidos ao redor. A recuperação é mais rápida do que na cirurgia aberta, com menos sangramento e internação menor.
Na cirurgia robótica para câncer de próstata, realizamos, além da remoção da próstata, a retirada de linfonodos (gânglios pélvicos) para pélvicos com maior probabilidade de comprometimento (linfadenectoma pélvica estendida).
O tecido removido é analisado pelo patologista, fornecendo informações precisas sobre margens cirúrgicas, extensão do tumor e comprometimento linfonodal. Esses dados orientam as decisões de tratamento seguintes e podem ser utilizados para prever as chances de cura do paciente.
Em Manaus, a cirurgia robótica deverá estar disponível com a chegada do robô cirúrgico ao Hospital Santa Júlia. Pacientes amazonenses com câncer de próstata de alto risco podem realizar a prostatectomia robótica na própria cidade, sem necessidade de deslocamento para outros centros.
Radioterapia com bloqueio hormonal
A radioterapia de alta precisão, associada à terapia de privação androgênica (bloqueio hormonal), é a segunda opção de tratamento definitivo. O bloqueio hormonal reduz os níveis de testosterona, hormônio que estimula o crescimento das células prostáticas, potencializando o efeito da radioterapia.
Para tumores de alto risco, a duração do bloqueio hormonal recomendada é de 24 a 36 meses. Essa combinação melhora os resultados em comparação com a radioterapia isolada.
A escolha entre cirurgia e radioterapia depende de múltiplos fatores: idade, comorbidades, anatomia do paciente, preferências e objetivos individuais. Nenhuma das duas opções é universalmente superior para todos os pacientes de alto risco.
Não posso apenas observar, ou seja, fazer vigilância ativa do tumor?
Não. Este tratamento costuma ser realizados em paciente com Gleason 6. Tumores de próstata Gleason 8 devem ser tratados obrigatoriamente devido à sua agressividade. A vigilância ativa não deve ser indicada.
Após a cirurgia: o que devo fazer?
Depois da prostatectomia, o PSA deve cair para níveis muito baixos e assim permanecer. O monitoramento regular é feito com dosagens periódicas ao longo dos primeiros anos.
A recorrência bioquímica, quando o PSA volta a subir após a cirurgia, é mais frequente nos tumores de alto risco do que nos de baixo risco. Isso não significa que o tratamento falhou definitivamente, pois existem opções eficazes para esse cenário.
A radioterapia de resgate é a principal estratégia quando o PSA sobe após a cirurgia. Quanto mais precocemente ela é realizada, melhores são os resultados.
Devo fazer quimioterapia para tratar o meu câncer Gleason 8?
A princípio, não. A quimioterapia é utilizada apenas nos casos em que existem muitas metástases espalhadas pelo corpo, e não é, de modo algum, a primeira linha de tratamento. A maioria dos pacientes com Gleason 8 jamais realizam uma quimioterapia.
Casos com linfonodos positivos na cirurgia
Quando a análise do material removido na cirurgia revela comprometimento de linfonodos, a conduta é individualizada. Tanto a observação ativa com radioterapia de resgate precoce quanto o uso de terapias adjuvantes são opções válidas, a depender do número de linfonodos envolvidos, das características do tumor e, principalmente, do PSA pós-operatório.
Esses casos são discutidos em conjunto com o paciente, considerando o melhor caminho ao analisar os riscos e benefícios de cada alternativa.
Tratamento para câncer de próstata Gleason 8 em Manaus
Em nosso consultório em Manaus, atendemos e orientamos pacientes com câncer de próstata de alto risco, realizando estadiamento e definindo a melhor estratégia de tratamento. Se você recebeu esse diagnóstico, entre em contato com nossa assistente dedicada para agendar uma avaliação.
Confira mais artigos
Entre em contato com
Dr. Pedro Cabral
Tecnologia avançada e expertise em urologia à sua disposição.
Entre em contato para agendar sua consulta ou procedimento.
Telefone
Ligue para agendar consultas ou para informações sobre biópsias e cirurgias.
Endereço
Visite-nos para um atendimento especializado em um ambiente moderno e acolhedor.



