Neste artigo
- Primeiramente, cuidado com o que você lê…
- De onde vem a ideia de que testosterona causa câncer de próstata?
- Como a testosterona afeta o PSA?
- Quando a testosterona é contraindicada?
- Quais exames fazer antes de iniciar a reposição?
- Quando a biópsia de próstata é indicada durante a reposição?
- Acompanhamento urológico durante a reposição de testosterona em Manaus
A reposição de testosterona em homens com deficiência hormonal não causa câncer de próstata, mas a testosterona pode estimular o crescimento de um tumor pré-existente não diagnosticado.
A reposição de testosterona é um tema controverso, especialmente em relação à sua possível associação com o câncer de próstata. A terapia com testosterona não aumenta o risco de desenvolver a doença. Nenhum estudo clínico provou que a reposição cause novos casos de câncer de próstata. A testosterona é, porém, contraindicada em homens com diagnóstico de câncer de próstata.
Primeiramente, cuidado com o que você lê…
Estudos científicos demonstram que a terapia de reposição de testosterona, quando utilizada para corrigir níveis baixos do hormônio e mantê-los dentro na normalidade, não aumenta o risco de câncer de próstata.
No entanto, essa segurança não pode ser automaticamente estendida para suplementação de testosterona em homens sem deficiência, uma prática que infelizmente tem se tornado frequente. Como não há bons estudos avaliando os efeitos dessas doses suprafisiológicas sobre a próstata, não é possível afirmar que sejam seguras.
De onde vem a ideia de que testosterona causa câncer de próstata?
Na década de 1940, pesquisadores observaram que o câncer de próstata regredia quando os níveis de testosterona caíam. Isso levou ao desenvolvimento do bloqueio hormonal, usado até hoje no tratamento de tumores avançados. A lógica inversa pareceu natural: se a falta de testosterona freia o tumor, a presença de testosterona causaria o tumor.
Décadas de pesquisa não confirmaram essa hipótese. O bloqueio hormonal funciona porque o câncer já existente depende de hormônios para crescer. Isso não significa que a testosterona cause tumores novos em uma próstata saudável.
Como a testosterona afeta o PSA?
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é o exame realizado para diagnóstico precoce do câncer de próstata. Quando o PSA sobe, o médico pode solicitar exames adicionais, incluindo ressonância e biópsia de próstata .
É comum ocorrer uma pequena elevação do PSA, geralmente inferior a 0,5 ng/mL, após início da reposição de testosterona. Esse aumento costuma ocorrer nos primeiros 12 meses de tratamento e o PSA estabiliza-se posteriormente.
Quando a testosterona é contraindicada?
A reposição é contraindicada em homens com câncer de próstata diagnosticado. Em tumores que já se espalharam pelo corpo, a testosterona pode acelerar o crescimento das células tumorais. Essa é uma contraindicação absoluta.
Outras situações que exigem cautela incluem:
- PSA elevado sem investigação: é preciso descartar câncer de próstata antes de começar o tratamento.
- Alteração no toque retal: nódulos ou áreas endurecidas devem ser investigados com biópsia antes da prescrição.
- Policitemia: aumento excessivo dos glóbulos vermelhos, que pode causar trombose.
Em homens que já trataram o câncer de próstata com sucesso e mantêm PSA indetectável há vários anos, a discussão sobre reposição pode ser retomada caso a caso, sempre com acompanhamento urológico.
Quais exames fazer antes de iniciar a reposição?
As principais diretrizes médicas recomendam avaliar o risco de câncer de próstata antes de prescrever testosterona. O protocolo inclui:
- Dosagem de PSA.
- Toque retal.
- Avaliação dos fatores de risco individuais para câncer de próstata, como idade e histórico familiar.
- Hemograma completo para verificar a contagem de glóbulos vermelhos.
- Avaliação cardiovascular quando indicada.
Após o início da terapia, o PSA deve ser monitorado com regularidade. Uma elevação acima do esperado pode indicar a necessidade de ressonância magnética da próstata e, quando necessário, biópsia.
Quando a biópsia de próstata é indicada durante a reposição?
Se o PSA sobe além do esperado durante a reposição e a ressonância identifica uma área suspeita na próstata, a biópsia é o passo seguinte para confirmar ou descartar o câncer. De acordo com as diretrizes da Sociedade Européia de Endocrinologia, uma elevação do PSA superior a 1,4 ng/mL nos primeiros meses após o início da terapia deve ser investigada.
A técnica mais precisa e segura disponível hoje é a biópsia transperineal com fusão de imagens. Nesse procedimento, realizo a coleta de amostras pelo períneo (a região entre o escroto e o ânus), sem contato com as fezes, combinando imagens da ressonância com ultrassom em tempo real. Nessa abordagem a agulha não passa pelo reto, o que reduz muito o risco de infecção. A fusão de imagens permite direcionar a agulha para o ponto exato apontado pela ressonância, aumentando a chance de obter um diagnóstico definitivo.
Acompanhamento urológico durante a reposição de testosterona em Manaus
Em nosso consultório em Manaus, atendemos homens que consideram ou já estão em reposição de testosterona e precisam de avaliação prostática. Se você tem dúvidas sobre a segurança do tratamento, entre em contato com nossa assistente dedicada para agendar uma avaliação.